🎮O Fascínio dos Jogos Soulslike e o Valor da Dificuldade
Entenda como jogos soulslike como Dark Souls transformaram a dificuldade extrema em filosofia de design, impacto cultural e um subgênero influente na indústria dos videogames.
NetoJacy
1/6/202622 min read


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O Fascínio dos Jogos Soulslike: como a dificuldade extrema criou um novo subgênero
1. Introdução
Poucos fenômenos na história recente dos videogames redefiniram tanto a conversa sobre “desafio” quanto os soulslike. Em vez de tratar a dificuldade como um obstáculo a ser suavizado, esses jogos a transformaram em linguagem de design: um jeito de contar história, conduzir o jogador pelo mundo e criar um ciclo poderoso de tentativa, erro e evolução.
O ponto de virada costuma ser associado ao caminho aberto por Demon’s Souls (2009) e consolidado pelo impacto global de Dark Souls (2011), ambos dirigidos por Hidetaka Miyazaki (FromSoftware). A proposta era simples de enunciar e difícil de executar: um jogo que exige atenção, leitura de padrões e tomada de decisão sob pressão — e que recompensa a persistência com uma sensação concreta de conquista. O próprio Miyazaki descreveu essa busca como a tentativa de entregar “um senso de realização ao superar probabilidades enormes”, deixando claro que o objetivo não era punir por punir.
O interessante é que a “dificuldade soulslike” não é apenas inimigos mais fortes. Ela nasce de um conjunto de escolhas: sistemas de risco e recompensa, punições que ensinam, economia de recursos, checkpoints estrategicamente espaçados e um mundo que comunica muito por ambiente e contexto, não por tutoriais longos. Em entrevistas mais recentes, Miyazaki reforça a ideia de desafio justo — algo duro, mas legível, onde o jogador entende por que falhou e como pode melhorar.
Neste artigo, vamos destrinchar como esse modelo se formou, quais são seus pilares, por que ele ganhou tanta força cultural e econômica, e de que forma o rótulo “soulslike” virou referência para dezenas de estúdios — inclusive fora do RPG de ação. Para manter a análise clara, quando falarmos de tendências e futuro, vamos separar explicitamente o que é observação baseada em padrões do que é confirmação oficial. (Essa transparência é importante porque o termo “soulslike” também evoluiu com o tempo e não tem uma única “regra” universalmente aceita.)
Fluxograma: Loop de aprendizado do jogador em jogos soulslike
O fluxograma ilustra o ciclo central de aprendizado presente nos jogos soulslike, no qual o progresso do jogador é construído por meio da repetição consciente. Cada tentativa resulta em sucesso parcial ou falha, sendo a falha interpretada como fonte de informação. A leitura do erro permite ajustes estratégicos — como mudança de abordagem, equipamentos ou ritmo de combate — culminando em uma nova tentativa mais informada. Esse processo contínuo reforça o conceito de dificuldade justa, transformando a morte em ferramenta pedagógica e consolidando o avanço como consequência direta do domínio mecânico e cognitivo do jogador.
2 — Origem e consolidação do subgênero soulslike
Das raízes experimentais ao impacto global
O que hoje chamamos de soulslike não surgiu como um subgênero planejado ou rotulado desde o início. Sua formação foi gradual e está diretamente ligada a uma série de decisões criativas adotadas pela desenvolvedora japonesa FromSoftware, especialmente a partir do final dos anos 2000.
O ponto inicial mais aceito pela crítica especializada é Demon’s Souls, lançado em 2009 para PlayStation 3. O projeto nasceu como um título de nicho, com orçamento limitado e expectativas comerciais modestas. Segundo relatos da própria equipe, o jogo chegou a ser considerado um risco interno, justamente por não seguir as tendências de acessibilidade dominantes da época, que priorizavam tutoriais extensos e progressão guiada.
A direção criativa ficou a cargo de Hidetaka Miyazaki, que assumiu o projeto em um momento crítico de desenvolvimento. Sua proposta não era apenas “fazer um jogo difícil”, mas repensar a relação entre jogador, falha e aprendizado. Em entrevistas posteriores, Miyazaki explicou que sua inspiração vinha tanto de jogos clássicos quanto de experiências pessoais com frustração, leitura incompleta de sistemas complexos e a satisfação de finalmente compreendê-los.
O sucesso de Demon’s Souls não foi imediato. No Japão, o desempenho inicial foi modesto, mas o jogo ganhou notoriedade internacional por meio do boca a boca, fóruns especializados e análises que destacavam sua proposta singular. Esse crescimento orgânico chamou a atenção do mercado ocidental, criando uma base sólida para o passo seguinte.
Dark Souls e a definição de um “modelo”
Em 2011, a FromSoftware lançou Dark Souls, considerado por muitos analistas o título que cristalizou o subgênero soulslike. Diferentemente de Demon’s Souls, que ainda carregava estruturas experimentais, Dark Souls apresentou um mundo interconectado, design de níveis altamente intencional e sistemas mais refinados de progressão e combate.
A partir desse lançamento, certos elementos passaram a ser reconhecidos como “assinaturas” do estilo:
Mundo hostil, porém coerente, onde cada inimigo possui lógica e padrões claros
Morte como parte do aprendizado, não como punição arbitrária
Economia de risco e recompensa, especialmente ligada à perda e recuperação de recursos
Narrativa ambiental, contada por cenários, itens e fragmentos de diálogo
É importante destacar que, neste momento histórico, o termo soulslike ainda não era amplamente utilizado de forma oficial. Ele surge posteriormente, criado por jornalistas, críticos e pela própria comunidade, como uma forma de classificar jogos que seguem a filosofia de design popularizada por Dark Souls, mesmo quando desenvolvidos por outros estúdios.
Consolidação cultural e influência externa
Com o sucesso crítico e comercial de Dark Souls, a FromSoftware deixou de ser um estúdio de nicho para se tornar uma referência global em design de jogos desafiadores. A trilogia Dark Souls (2011–2016) consolidou essa identidade e abriu espaço para variações posteriores como Bloodborne e Sekiro, que expandiram o conceito sem abandoná-lo.
Do ponto de vista histórico, é seguro afirmar — com base em dados de vendas, cobertura especializada e estudos de design de jogos — que Dark Souls não apenas influenciou outros títulos, mas ajudou a redefinir a percepção de dificuldade como valor artístico e comercial. Esse reconhecimento é amplamente documentado por veículos especializados e análises acadêmicas da área de game studies.
⚠️ Nota de transparência: embora seja comum afirmar que “Dark Souls criou o gênero soulslike”, essa definição é uma construção crítica posterior, não uma classificação oficial criada pela indústria ou pela FromSoftware. O termo evoluiu organicamente e continua sendo interpretado de formas diferentes por desenvolvedores e pesquisadores.
Tabela: Comparação entre dificuldade tradicional e dificuldade soulslike no design de jogos
A tabela apresenta uma comparação conceitual entre dois modelos distintos de abordagem da dificuldade nos videogames. A dificuldade tradicional baseia-se em níveis selecionáveis, ajustando parâmetros como dano, vida e assistência ao jogador, com foco em acessibilidade imediata. Já a dificuldade soulslike opera como elemento estrutural do design, mantendo regras fixas e utilizando feedback direto, punições informativas e progressão baseada em aprendizado ativo. A análise evidencia como o modelo soulslike transforma a falha em mecanismo pedagógico, enquanto o modelo tradicional prioriza adaptação passiva da experiência.
3 — Os pilares do design soulslike: dificuldade, justiça e aprendizado
Dificuldade como linguagem de design
Nos jogos soulslike, a dificuldade não é um recurso isolado nem um simples ajuste de números (mais dano ou mais vida dos inimigos). Ela funciona como linguagem central do design, orientando como o jogador aprende, explora e interpreta o mundo do jogo.
Diferentemente de títulos que utilizam níveis de dificuldade selecionáveis para adaptar a experiência, os soulslike adotam uma abordagem fixa e intencional. Isso não significa ausência de acessibilidade, mas sim uma proposta clara: o jogo ensina por meio da consequência, não por explicações diretas. Cada erro carrega informação, e cada vitória confirma aprendizado.
Segundo análises acadêmicas na área de game studies, esse modelo cria um ciclo cognitivo mais profundo, em que o jogador passa a internalizar padrões, em vez de apenas reagir a estímulos imediatos. A dificuldade, nesse contexto, deixa de ser punição e se torna ferramenta pedagógica.
O conceito de “desafio justo”
Um dos equívocos mais comuns ao se falar de soulslike é associá-los a jogos “injustos” ou “punitivos demais”. Na prática, o núcleo do subgênero se apoia na ideia de fair challenge (desafio justo).
Um desafio é considerado justo quando:
As regras são consistentes
Os inimigos seguem padrões legíveis
O jogador entende por que falhou
Existe sempre a possibilidade real de superação por habilidade, não por sorte
Em entrevistas concedidas ao longo dos anos, Hidetaka Miyazaki reforçou que a frustração inicial é parte do processo, mas que o objetivo final é conduzir o jogador à sensação de conquista legítima, não ao abandono. Essa filosofia explica por que mortes frequentes coexistem com sistemas altamente controlados de combate, stamina, hitboxes e animações.
⚠️ Nota de transparência: não existe um consenso acadêmico absoluto sobre o que define “justiça” em jogos difíceis. O termo é usado aqui com base em análises recorrentes da crítica especializada e declarações dos próprios desenvolvedores, não como um conceito matematicamente fechado.
Morte como aprendizado, não como falha
Outro pilar essencial do design soulslike é a ressignificação da morte. Em vez de representar um estado de falha definitiva, morrer faz parte do fluxo normal do jogo.
Ao morrer, o jogador:
Aprende padrões de ataque
Reconhece armadilhas e posicionamento
Ajusta ritmo, equipamento e estratégia
Reavalia decisões anteriores
Esse sistema é reforçado por mecânicas de risco e recompensa, especialmente ligadas à perda temporária de recursos (como “souls” ou equivalentes). O jogador é constantemente convidado a decidir entre avançar mais um pouco ou recuar para consolidar progresso — uma escolha que adiciona tensão psicológica sem depender de narrativas explícitas.
Estudos sobre engajamento em jogos indicam que esse tipo de sistema aumenta a memorização espacial, a atenção aos detalhes e o envolvimento emocional, justamente porque o custo do erro é significativo, mas nunca arbitrário.
Checkpoints e controle de progresso
Os famosos bonfires (ou equivalentes em outros jogos soulslike) são mais do que simples pontos de salvamento. Eles funcionam como marcos emocionais e estratégicos dentro do jogo.
Cada checkpoint:
Representa alívio após tensão prolongada
Reorganiza o mundo (inimigos reaparecem)
Serve como hub de progressão e planejamento
Divide o mapa em “blocos de aprendizado”
Essa estrutura transforma o avanço em algo segmentado e mensurável, reforçando a sensação de progresso mesmo em ambientes hostis. Do ponto de vista de design, é um equilíbrio delicado entre frustração e motivação — amplamente estudado em análises de level design contemporâneo.
Mapa Conceitual: Camadas estruturais da narrativa nos jogos soulslike
O mapa conceitual representa a construção narrativa típica dos jogos soulslike por meio da interligação de diferentes camadas informacionais. O cenário atua como elemento narrativo primário, transmitindo contexto histórico e emocional por meio da arquitetura e da ambientação. Os inimigos funcionam como extensões da narrativa, refletindo ciclos de decadência, corrupção ou repetição temporal. Os itens oferecem fragmentos textuais que complementam e, por vezes, contradizem a história implícita. Por fim, os eventos históricos são sugeridos indiretamente por ruínas, símbolos e consequências visíveis no mundo do jogo. O objetivo do diagrama é demonstrar como a narrativa soulslike emerge da soma dessas camadas, sem depender de exposição direta.
4 — Narrativa ambiental e construção de mundo: contar histórias sem palavras
Quando o cenário se torna o narrador
Um dos aspectos mais distintivos dos jogos soulslike é a forma como a narrativa é construída. Em vez de longas cutscenes ou diálogos explicativos, esses jogos adotam majoritariamente a narrativa ambiental (environmental storytelling), na qual o mundo fala por si.
Ruínas, corpos, arquitetura quebrada, inimigos posicionados de forma específica e até a iluminação dos cenários funcionam como fragmentos narrativos. O jogador não recebe a história pronta — ele a reconstrói ativamente por observação e interpretação.
Esse modelo se distancia do padrão tradicional da indústria, mas dialoga com conceitos estudados em game design e narratologia interativa, nos quais o significado emerge da interação, não da exposição direta.
Itens como arquivos históricos do mundo
Outro recurso central da narrativa soulslike são as descrições de itens. Armas, armaduras, consumíveis e artefatos carregam pequenos trechos de texto que, isoladamente, parecem vagos. No conjunto, porém, formam uma teia narrativa complexa.
Essas descrições costumam:
Apresentar eventos passados de forma fragmentada
Sugerir relações entre personagens e facções
Indicar tragédias, guerras e ciclos de decadência
Contradizer ou complementar outras informações do mundo
O resultado é uma narrativa não linear, que depende do engajamento ativo do jogador. Quem ignora esses detalhes pode concluir o jogo sem compreender totalmente sua história — e isso é intencional, não uma falha de design.
Silêncio, ambiguidade e interpretação
Nos soulslike, o silêncio é tão importante quanto o que é mostrado. Poucos personagens explicam diretamente o que aconteceu ou o que deve ser feito. Quando falam, costumam ser enigmáticos, incompletos ou até pouco confiáveis.
Esse uso da ambiguidade:
Estimula teorias e debates na comunidade
Prolonga o interesse além do tempo de jogo
Dá ao jogador a sensação de descoberta pessoal
Evita leituras únicas e fechadas da história
Jogos como Dark Souls e Bloodborne tornaram-se exemplos recorrentes em estudos e análises justamente por permitirem múltiplas interpretações válidas, algo raro em narrativas altamente guiadas.
⚠️ Nota de transparência: embora muitos jogadores e críticos construam linhas narrativas bastante detalhadas, grande parte da lore dos soulslike não possui confirmação oficial explícita. Muitas conexões amplamente aceitas são inferências baseadas em padrões, textos de itens e entrevistas pontuais, não declarações definitivas dos desenvolvedores.
Impacto cultural da narrativa fragmentada
Esse estilo narrativo teve efeitos que ultrapassam o jogo em si. Comunidades inteiras surgiram para:
Analisar mapas e linhas do tempo
Comparar traduções de textos
Debater simbolismos e inspirações literárias
Produzir vídeos, artigos e ensaios extensos
Do ponto de vista cultural, os soulslike ajudaram a legitimar a ideia de que jogos podem contar histórias complexas sem recorrer a exposição direta, influenciando inclusive títulos fora do gênero.
Esse impacto é frequentemente citado em portais especializados e em pesquisas acadêmicas sobre storytelling interativo, que veem nos soulslike um caso exemplar de narrativa emergente aplicada ao entretenimento digital.
Tabela: Comparação entre jogos Soulslike puros e jogos híbridos inspirados no modelo Soulslike
A tabela apresenta uma distinção conceitual entre jogos classificados como soulslike puros e títulos híbridos que incorporam apenas parte de seus princípios de design. Os soulslike puros seguem de forma rigorosa a estrutura estabelecida por Dark Souls, incluindo dificuldade fixa, progressão baseada em aprendizado pela falha, narrativa fragmentada e baixa interferência de sistemas externos. Já os jogos híbridos adotam elementos centrais do soulslike — como punição informativa, combate metódico e checkpoints estratégicos — combinando-os com mecânicas de outros gêneros, como RPGs tradicionais, metroidvanias ou jogos de ação acessíveis. O objetivo da comparação é evidenciar como o subgênero se expandiu sem perder sua identidade conceitual.
5 — Expansão do soulslike: influência além da FromSoftware
Do “estilo de estúdio” ao modelo replicável
Após a consolidação de FromSoftware como referência em design de jogos desafiadores, o que antes era visto como uma assinatura criativa passou a ser interpretado pela indústria como um modelo de design replicável. A partir de meados da década de 2010, o termo soulslike começou a ser usado com mais frequência para classificar jogos que adotavam — total ou parcialmente — os princípios popularizados por Dark Souls.
Esse movimento não ocorreu por acaso. Do ponto de vista econômico e criativo, os soulslike demonstraram que havia um público fiel disposto a aceitar frustração inicial em troca de profundidade e recompensa emocional, contrariando a ideia de que jogos mais difíceis seriam, necessariamente, menos comerciais.
Primeira onda: RPGs de ação inspirados diretamente
Os primeiros títulos influenciados pelo modelo soulslike buscaram reproduzir a experiência de forma relativamente direta, mantendo combate metódico, stamina, checkpoints punitivos e progressão baseada em risco.
Exemplos recorrentes incluem:
Nioh — que combinou a estrutura soulslike com sistemas de loot inspirados em Diablo
Lords of the Fallen — uma das primeiras tentativas explícitas de “copiar” a fórmula
The Surge — que transportou o conceito para um cenário de ficção científica
Esses jogos ajudaram a solidificar a percepção de que o soulslike não dependia exclusivamente da estética medieval sombria, mas sim de estruturas de design bem definidas.
Segunda onda: hibridização com outros gêneros
Com o tempo, o soulslike deixou de ser apenas um subgênero fechado e passou a funcionar como influência transversal, misturando-se a outros estilos.
Um dos exemplos mais citados é Hollow Knight, que combina estrutura de metroidvania com:
Combate punitivo
Perda de recursos ao morrer
Checkpoints estratégicos
Progressão baseada em domínio do mapa
Outro caso relevante é Star Wars Jedi: Fallen Order, que adota elementos soulslike (como respawn de inimigos e recuperação de experiência) dentro de uma estrutura mais acessível e cinematográfica.
Essa fase marca um ponto importante: o soulslike deixa de ser um rótulo rígido e passa a ser um conjunto de ferramentas, aplicável conforme os objetivos do projeto.
⚠️ Nota de transparência: nem todo jogo influenciado por Dark Souls se autodenomina ou é unanimemente aceito como soulslike. Em muitos casos, a classificação depende mais da leitura crítica e da recepção do público do que de uma definição oficial dos desenvolvedores.
Influência em design, não apenas em dificuldade
Um erro comum é reduzir a expansão do soulslike à “popularização da dificuldade”. Na prática, sua maior herança está em como os jogos ensinam sem explicar e como o design respeita a inteligência do jogador.
Elementos frequentemente adotados por jogos não-soulslike incluem:
Confiança na observação do jogador
Redução de tutoriais intrusivos
Mundos mais interconectados
Progressão baseada em tentativa e erro consciente
Essas escolhas aparecem hoje até em jogos considerados mainstream, indicando que o impacto do soulslike ultrapassou nichos e se integrou ao vocabulário moderno do design de jogos.
Gráfico: Evolução do sucesso comercial e da recepção crítica dos jogos soulslike
O gráfico apresenta uma comparação entre o desempenho comercial e a recepção crítica de títulos-chave do subgênero soulslike ao longo do tempo. As barras representam o volume estimado de vendas em milhões de cópias, enquanto a linha indica a nota média obtida em agregadores de crítica especializada, como o Metacritic. A visualização evidencia uma correlação positiva entre consistência de design, reconhecimento crítico e crescimento comercial, culminando em Elden Ring, que demonstra a consolidação do soulslike como subgênero de alto impacto econômico e cultural. Os dados reforçam que a dificuldade elevada, quando associada a design justo e identidade clara, não limita o alcance de mercado.
6 — Impacto cultural, econômico e social dos jogos soulslike
Da experiência individual ao fenômeno cultural
O impacto dos jogos soulslike vai muito além da tela. O que começou como uma experiência individual marcada por tentativa e erro evoluiu para um fenômeno cultural coletivo, sustentado por comunidades altamente engajadas.
Fóruns, wikis, canais de vídeo, podcasts e artigos analíticos passaram a ocupar um papel central na experiência desses jogos. Diferentemente de títulos com narrativa explícita, os soulslike incentivam a colaboração interpretativa, onde jogadores compartilham descobertas, teorias e estratégias.
Eventos como speedruns, desafios sem mortes (no-hit runs) e análises de lore aprofundadas tornaram-se parte integrante da cultura associada ao subgênero, ampliando sua relevância mesmo anos após o lançamento de cada título.
Comunidade como extensão do design
Do ponto de vista social, os soulslike ajudaram a reforçar a ideia de que comunidade também é mecânica de jogo. Embora não seja uma proposta explicitamente declarada pela FromSoftware, esse efeito é amplamente observado por críticos e pesquisadores.
Alguns fatores que contribuem para isso:
Ambiguidade narrativa que estimula debate
Sistemas complexos que favorecem troca de conhecimento
Desafios elevados que incentivam ajuda mútua
Conteúdo que não se esgota rapidamente
Jogos como Dark Souls e Elden Ring continuam relevantes anos após o lançamento justamente porque a experiência se estende para fora do jogo, em espaços de discussão e produção de conteúdo.
⚠️ Nota de transparência: não há confirmação oficial de que esses jogos tenham sido projetados com o objetivo direto de fomentar comunidades externas. Essa leitura é baseada em observação empírica, estudos de recepção e comportamento de jogadores.
Impacto econômico e validação de mercado
No aspecto econômico, o sucesso dos soulslike ajudou a quebrar um paradigma importante da indústria: a noção de que jogos difíceis seriam, necessariamente, produtos de nicho com baixo potencial comercial.
O caso mais emblemático é Elden Ring, que alcançou dezenas de milhões de unidades vendidas globalmente, além de múltiplos prêmios da indústria. Esses números são frequentemente citados em relatórios financeiros e análises de mercado como prova de que design exigente e apelo comercial não são mutuamente exclusivos.
Esse sucesso teve efeitos diretos:
Maior interesse de publishers em projetos desafiadores
Valorização de estúdios especializados em design profundo
Redução da pressão para “simplificação excessiva”
Diversificação do catálogo de grandes empresas
Transformação da percepção de dificuldade
Talvez o impacto mais duradouro dos soulslike esteja na mudança de percepção sobre dificuldade. Antes vista como barreira, ela passou a ser entendida, em certos contextos, como valor artístico e identitário.
Para parte do público, superar um desafio soulslike não é apenas completar um jogo, mas vivenciar:
Autossuperação
Persistência
Aprendizado gradual
Recompensa emocional intensa
Pesquisas em psicologia do jogo e estudos sobre motivação frequentemente associam esse tipo de experiência ao conceito de flow, no qual desafio e habilidade se equilibram de forma dinâmica.
Quadro: Possíveis caminhos futuros do subgênero soulslike na indústria de jogos
O quadro analítico apresenta três direções principais observadas na evolução recente dos jogos soulslike. A primeira destaca a expansão para mundos abertos, permitindo maior liberdade de progressão e acessibilidade indireta sem descaracterizar a dificuldade central. A segunda aborda a hibridização de gêneros, na qual elementos soulslike são combinados com estruturas de RPG tradicional, metroidvania ou ação cinematográfica. A terceira explora a experimentação no cenário independente, onde estúdios menores utilizam os princípios do soulslike como base para inovação estética, narrativa e mecânica. O objetivo do quadro é sintetizar tendências observáveis, deixando claro que tais caminhos representam análises críticas baseadas em padrões do mercado, e não confirmações oficiais da indústria.
7 — Tendências e o futuro dos jogos soulslike
O que os dados indicam até agora
Com base em lançamentos, recepção crítica, vendas e padrões observados na última década, é possível afirmar — com respaldo empírico — que o modelo soulslike não é uma moda passageira, mas um subgênero em consolidação contínua.
O sucesso de títulos recentes como Elden Ring e Lies of P demonstra que ainda existe demanda significativa por experiências desafiadoras, desde que acompanhadas de:
Sistemas bem calibrados
Identidade estética clara
Progressão justa
Respeito ao tempo e à habilidade do jogador
Relatórios de mercado e análises de portais especializados indicam que projetos classificados como soulslike ou “inspirados em souls” continuam recebendo investimento, tanto de grandes publishers quanto de estúdios independentes.
Expansão do soulslike para além do RPG de ação
Uma tendência já observável é a diluição do soulslike como gênero fechado e sua transformação em linguagem de design aplicada a múltiplos formatos.
Atualmente, elementos soulslike aparecem em:
Jogos de ação e aventura
Metroidvanias
Roguelikes
Indies experimentais
Títulos narrativos com foco em desafio
Essa expansão sugere que o futuro do soulslike está menos ligado à repetição de fórmulas e mais à adaptação de seus princípios centrais: aprendizado pela falha, progressão baseada em risco e leitura ativa do mundo.
Abertura de mundo e acessibilidade contextual
Um ponto de inflexão importante foi a adoção de estruturas mais abertas, como visto em Elden Ring. Esse design permitiu que jogadores evitassem temporariamente obstáculos excessivos, retornando mais preparados — uma forma de acessibilidade indireta, sem alterar a dificuldade central.
⚠️ Nota de transparência: embora esse modelo seja frequentemente citado como “o futuro do soulslike”, não há confirmação oficial de que a FromSoftware ou outros estúdios adotarão obrigatoriamente mundos abertos em projetos futuros. Trata-se de uma inferência baseada em recepção positiva e análise de mercado.
Indie scene e experimentação criativa
Outro vetor importante é o crescimento de soulslikes independentes, que usam o subgênero como base para experimentação estética e mecânica. Esses projetos costumam:
Reduzir escala, mas aumentar foco em identidade
Testar novas abordagens narrativas
Misturar gêneros de forma menos conservadora
Atender nichos específicos de público
Esse movimento reforça o papel do soulslike como plataforma criativa, não apenas como fórmula comercial.
O risco da saturação
Por outro lado, análises críticas também apontam riscos. O uso indiscriminado do rótulo soulslike pode levar à saturação conceitual, especialmente quando jogos adotam apenas a dificuldade elevada, sem o cuidado com justiça, legibilidade e aprendizado.
⚠️ Nota de transparência: essa preocupação é recorrente em análises editoriais, mas não existem dados quantitativos conclusivos que indiquem um declínio iminente do subgênero. Trata-se de uma leitura crítica baseada em padrões de recepção.
A imagem simboliza o momento de consolidação e decisão do subgênero soulslike dentro da indústria dos videogames. O personagem posicionado diante de múltiplos caminhos representa a maturidade do modelo de design, que agora se desdobra em diferentes direções criativas — como mundos abertos, hibridização de gêneros e experimentação independente. A composição demonstra que o soulslike deixou de ser apenas uma fórmula associada à dificuldade extrema e passou a atuar como linguagem estrutural de design, influenciando narrativas, progressão e filosofia de desafio. O objetivo visual é reforçar a conclusão analítica do artigo: o soulslike permanece relevante não por sua rigidez, mas por sua capacidade de adaptação sem perda de identidade.
8 — Conclusão analítica: por que os soulslike continuam relevantes
O fascínio exercido pelos jogos soulslike não pode ser explicado apenas por sua dificuldade elevada. Ao longo dos anos, ficou claro que esse subgênero se sustenta por algo mais profundo: uma filosofia de design que confia na inteligência do jogador, transforma a falha em aprendizado e substitui recompensas imediatas por conquistas duradouras.
Desde Demon’s Souls até Elden Ring, observa-se uma coerência conceitual rara na indústria: o desafio não é arbitrário, a narrativa não é imposta e o progresso não é garantido. Cada vitória é construída, cada avanço é conquistado. Esse modelo contraria tendências de simplificação excessiva e prova que complexidade, frustração inicial e sucesso comercial podem coexistir.
Do ponto de vista cultural, os soulslike ajudaram a redefinir a forma como se fala sobre dificuldade nos videogames. Em vez de barreira, ela passou a ser reconhecida — em certos contextos — como valor artístico, identitário e emocional. Comunidades ativas, análises acadêmicas e produção massiva de conteúdo crítico reforçam que esses jogos não terminam quando os créditos sobem.
Economicamente, dados de vendas e investimento mostram que o subgênero deixou de ser nicho. Culturalmente, consolidou-se como referência. Criativamente, tornou-se linguagem reutilizável.
⚠️ Transparência final: embora seja comum afirmar que os soulslike “mudaram a indústria”, essa afirmação deve ser entendida como influência progressiva e observável, não como substituição de modelos tradicionais. O subgênero ampliou possibilidades — não eliminou outras abordagens.
Em síntese, os soulslike permanecem relevantes porque oferecem algo cada vez mais raro: respeito ao jogador, confiança no aprendizado ativo e experiências que permanecem na memória muito depois do controle ser desligado.
Leitura Recomendada (ProGameMundo)
State of Play 24/09/2025: Rumores, Análises e Expectativas para o Novo Evento da Sony
Mostra como a linguagem “soulslike” já aparece até em discussões de eventos e anúncios, citando inclusive um action RPG em primeira pessoa no estilo soulslike (Valor Mortis).
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Excelente para complementar o artigo ao abordar mudanças que moldaram o mercado — e cita Dark Souls como exemplo de como experiências single-player também geraram forte “espírito comunitário”.
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Conecta com o tema ao citar Elden Ring como referência de experiência/portabilidade e ajuda o leitor a entender onde jogar RPGs de ação exigentes (perfil próximo ao público soulslike).
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Ótima ponte prática: lista títulos inspirados em souls-like (ex.: Wo Long: Fallen Dynasty, Steelrising), reforçando como o subgênero se espalhou para outros estúdios.
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Complementa o artigo com um recorte de consumo: traz contexto de títulos e referências que conversam com fãs de soulslike e jogos de dificuldade elevada (inclui menções a jogos como Sekiro).
Link: https://www.progamemundo.com/-descontos-de-ate-90percent-na-promocao-de-inverno-da-ps-store progamemundo+1PlayStation em 2025: Crise de Exclusivos e Futuro em Risco
Conecta com o universo FromSoftware ao mencionar a expectativa por franquias como Bloodborne e discute como o mercado reage quando faltam grandes experiências single-player “de peso” (público que frequentemente cruza com soulslike).
Link: https://www.progamemundo.com/playstation-em-2025-crise-de-exclusivos-e-futuro-em-risco progamemundoJogos que Popularizaram Mecânicas de Gameplay e Mudaram a Indústria
Se você curtiu entender como Dark Souls ajudou a “criar linguagem”, este artigo amplia o contexto mostrando como certas mecânicas viram padrão e influenciam gerações de jogos — exatamente o que aconteceu com o modelo soulslike.
https://www.progamemundo.com/jogos-que-popularizaram-mecanicas-de-gameplay-e-mudaram-a-industriaO Impacto Cultural dos Games: Como Eles Transformaram a Cultura Pop
Soulslike não é só dificuldade: virou conversa cultural, referência e identidade gamer. Aqui você conecta o subgênero ao impacto mais amplo dos videogames na cultura pop e no comportamento do público.
https://www.progamemundo.com/o-impacto-cultural-dos-games-como-eles-transformaram-a-cultura-popDescubra Como os Games Atendem às Suas Necessidades Emocionais
A sensação de conquista em soulslike (superar um chefe, “aprender na marra”, dominar o mapa) tem muito a ver com motivação e recompensa emocional. Este texto aprofunda o “porquê” psicológico por trás do engajamento.
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A dificuldade extrema pode ser catártica para alguns e frustrante para outros. Este artigo ajuda a contextualizar como jogos intensos afetam bem-estar, foco e estresse — um complemento direto ao debate sobre “dificuldade justa”.
https://www.progamemundo.com/games-e-saude-mental-beneficios-e-desafios-revelados-copyO Papel dos Jogos Indie na Indústria: Criatividade que Transforma a Indústria
Muitos soulslikes e “souls-inspired” ganham força no cenário indie, onde estúdios experimentam mecânicas e estruturas de desafio sem depender de fórmulas tradicionais. Esse artigo encaixa perfeito no tópico de expansão do subgênero.
https://www.progamemundo.com/o-papel-dos-jogos-indie-criatividade-que-transforma-a-industria-copyComo os Jogos Multiplayer Têm Fomentado a Socialização e a Criação de Comunidades
Soulslike também é comunidade (dicas, builds, lore, desafios). Este texto complementa o tema ao explorar como comunidades se formam e fortalecem em torno de jogos — algo que o “efeito Dark Souls” deixou bem evidente.
https://www.progamemundo.com/o-poder-do-jogo-multiplayer-na-conexao-social-global-copy
Referências
FROM SOFTWARE. Demon’s Souls. Tóquio: FromSoftware, 2009.
Disponível em: https://www.fromsoftware.jp/ww/products/demons_souls/. Acesso em: 6 jan. 2026.
FROM SOFTWARE. Dark Souls. Tóquio: FromSoftware, 2011.
Disponível em: https://www.fromsoftware.jp/ww/products/darksouls/. Acesso em: 6 jan. 2026.
FROM SOFTWARE. Elden Ring. Tóquio: FromSoftware, 2022.
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Disponível em: https://oxfordre.com/communication/view/10.1093/acrefore/9780190228613.001.0001/acrefore-9780190228613-e-159. Acesso em: 6 jan. 2026.
STEAM. Dark Souls: Remastered — Community & Reviews. Valve Corporation.
Disponível em: https://store.steampowered.com/app/570940/DARK_SOULS_REMASTERED/. Acesso em: 6 jan. 2026.
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